Treze anos após o lançamento original, o aclamado Assassin's Creed IV: Black Flag voltou com força em uma reconstrução completa da Ubisoft. Apesar de vender 2 milhões de cópias só no primeiro dia e receber elogios da imprensa, o lançamento foi ofuscado por críticas de jogadores devido a mais de US$ 80 em compras extras disponíveis logo na estreia.
Controle e setup de videogame profissional. (crédito: Unsplash / CC0)
A aventura de Edward Kenway voltou — e voltou com força. Assassin's Creed Black Flag Resynced, remake lançado pela Ubisoft, vendeu 2 milhões de cópias só no primeiro dia e recebeu algumas das melhores notas da crítica que a franquia já viu em anos. Mas, em paralelo à comemoração, uma polêmica específica dominou as conversas entre os próprios jogadores: mais de US$ 80 em compras extras disponíveis já no lançamento.
Um clássico de 2013 reconstruído do zero
Caravela antiga no mar aberto, representando as famosas batalhas navais do jogo de piratas. (crédito: Unsplash / CC0)
Original de 2013, Black Flag é frequentemente citado por fãs como um dos pontos altos da franquia Assassin's Creed — a aventura de
Edward Kenway, um capitão pirata que se envolve no conflito secular entre Assassinos e Templários, cruzando caminho com figuras históricas como Barba Negra e Anne Bonny. O remake, desenvolvido pela
Ubisoft Singapura e rodando no motor gráfico Anvil mais recente da empresa, oferece uma reconstrução completa: visual atualizado, combate reformulado com sistema de contra-ataques, furtividade aprimorada, mecânicas navais mais profundas e conteúdo narrativo inédito, incluindo novas missões e arcos de personagem mais longos.
Vale notar o que ficou de fora: a expansão Freedom Cry, os modos multijogador e as missões ambientadas no presente, que faziam parte do jogo original, não estão presentes nesta versão. Em compensação, novas linhas de missão foram adicionadas especificamente para essa reconstrução.
Números que impressionam qualquer publicadora
Os dados divulgados pela
Vantage Studios, estúdio da Ubisoft responsável pelo projeto, mostram uma estreia rara para a franquia: além dos
2 milhões de cópias vendidas no primeiro dia, o jogo alcançou o 1º lugar na Twitch e bateu um recorde de
99.451 jogadores simultâneos na Steam dentro de 24 horas — o maior número já registrado para um título da série na plataforma da Valve.
A crítica especializada também aprovou: o jogo soma 85% no OpenCritic e entre
84 e 86 pontos no Metacritic, dependendo da plataforma — a nota mais alta para um jogo da franquia desde o Black Flag original de mais de uma década atrás. Para efeito de comparação, Assassin's Creed Shadows, lançado meses antes, havia terminado com 81 pontos no Metacritic.
A crítica elogiou — com ressalvas pontuais
Veículos líderes como a IGN deram nota máxima ao jogo, descrevendo-o como maior e melhor em praticamente tudo que importa. A Digital Foundry, especializada em análise técnica, classificou o trabalho como um dos remakes mais bem executados que já viu, elogiando a ausência completa de telas de carregamento mesmo na transição rápida entre terra e mar aberto.
Nem toda crítica foi só elogio, porém. Alguns veículos apontaram que o combate segue relativamente simples, sem grande evolução ao longo da campanha, e que a estrutura narrativa original inevitavelmente perdeu um pouco de força com o tempo, mesmo com o conteúdo novo adicionado. Ainda assim, o consenso geral girou em torno de uma frase parecida em praticamente todas as análises: quem amava Black Flag vai amar ainda mais essa versão.
O problema: mais de US$ 80 em compras extras
Teclado mecânico gamer; comunidade da Steam se revoltou contra as microtransações. (crédito: Unsplash / CC0)
Foi na Steam que a insatisfação apareceu com mais força. Apesar do recorde de jogadores simultâneos, a nota geral da plataforma ficou classificada como "Mista" nas primeiras horas após o lançamento — um contraste chamativo com as notas elogiosas da imprensa especializada. Das quase 2.800 avaliações registradas nas primeiras 12 horas, apenas
62% eram positivas.
O alvo real das críticas foi o menu de compras do jogo, apelidado pelos jogadores de "Animus Hub": somando todos os itens avulsos disponíveis já no lançamento, o total passa dos
US$ 80 dólares, empilhado em cima do preço cheio do jogo, que varia entre
US$ 59,99 na edição padrão e US$ 69,99 na edição Deluxe. Parte da irritação vem também da forma intrusiva como esses itens aparecem: notificações na tela durante o próprio jogo, cobrindo o mapa na tela de pausa.
A defesa mais comum entre quem não se incomoda tanto é que a maior parte desses itens seria cosmética, sem impacto real na jogabilidade de uma experiência majoritariamente solo. Críticos rebatem que ao menos parte dos itens à venda oferece vantagens de jogo, como redução no tempo de espera de certas habilidades — o que, para essa parcela dos jogadores, ultrapassa a linha do aceitável em um jogo pago.
Ubisoft responde — mas o timing não ajudou
De forma pouco comum para uma grande publicadora, a Ubisoft optou por responder diretamente a avaliações negativas na própria Steam, reforçando que a edição padrão contém a experiência completa do jogo — todas as missões, todas as ilhas, a história inteira — e que os pacotes adicionais são extras totalmente opcionais, nunca necessários para concluir ou aproveitar o jogo.
O problema é que esse esforço de comunicação coincidiu com outra notícia bem menos favorável à imagem da empresa: o lançamento aconteceu na mesma janela de tempo em que a Ubisoft conduzia uma nova rodada de demissões internas — um contraste que parte da comunidade classificou como um erro de comunicação e de
timing comercial agressivo.
O que essa história diz sobre os remakes de hoje
Vale colocar esse lançamento em contexto: a Ubisoft vem de um período de forte pressão financeira, com o valor de mercado da empresa em queda nos últimos anos e especulações recorrentes de mercado, mesmo com as ações subindo cerca de 17% no último mês. Nesse cenário, um remake bem avaliado e comercialmente forte como Black Flag Resynced é, sem dúvida, uma vitória rara e muito bem-vinda para a companhia de games francesa.
Ao mesmo tempo, o episódio serve como um retrato preciso do momento atual da indústria: mesmo os relançamentos mais bem recebidos pela crítica não escapam da pressão corporativa para maximizar receita através de compras integradas, ainda que se trate de uma experiência primariamente solo. O sucesso de Black Flag Resynced deve, inclusive, influenciar os próximos passos da franquia: a Ubisoft já confirma trabalhar em um remake do primeiro Assassin's Creed e no ainda misterioso Assassin's Creed Hexe, ambientado nos julgamentos de bruxas de Salem — previstos para chegar até 2027.
Fontes: GlobeNewswire/Ubisoft, Metacritic, TechPowerUp, GAMES.GG, The Week, Push Square, Pure Xbox.